A formação do professor de matemática

Pesquisa na PUC Campinas investiga a aquisição dos conhecimentos didático-pedagógicos e específicos, matemáticos, na formação dos professores de Matemática da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) a partir da Prática de Ensino. O trabalho foi desenvolvido pelo professor Wilson Santana da Cunha como dissertação de mestrado. Para ele, a Prática de Ensino deve servir como elo entre o conhecimento adquirido na licenciatura e a futura prática efetiva do professorando.

Com relação ao procedimento metodológico, segundo Cunha, optou-se pela pesquisa qualitativa, mais precisamente a de estudo de caso. O objetivo foi buscar um entendimento do sujeito com o seu mundo vivido, trazendo à tona contradições e contrariedades nas suas ações.

Para a pesquisa, escolheu-se seis professorandos do 8° semestre. Esses componentes enquadraram-se pelas seguintes características: dois com experiência docente antes do início do curso; dois com experiência durante o curso; e dois não tinham experiência docente antes ou durante o curso. Quanto aos professores do departamento de Matemática envolvidos, selecionou-se aqueles com mais de três anos de docência no curso, sendo um em disciplinas didático-pedagógicas e outro em disciplina específica.

Os depoimentos colhidos durante as entrevistas, diz o autor da dissertação, são percepções produzidas pelo discurso de cada um sobre os acontecimentos vividos. No caso dos professorandos, as reflexões devem ser relativizadas, pois advém de uma experiência pedagógica de quem está vivendo o dia-a-dia do curso sem o conhecimento do que seja o currículo.

Para o trabalho de sistematização dos dados obtidos, segundo Cunha, trabalhou-se com três categorias de análise. A primeira foi a “Prática de Ensino no curso de Matemática”. Constatou-se que há uma certa resistência às inovações, e que isso é resultado do trabalho do próprio curso, imbuído de características do ensino tradicional, do tipo livreco, e de uma educação bancária.

A segunda categoria foi “A ação dos professores no curso de Matemática”, que permitiu verificar a não interação dos conhecimentos específicos e didático-pedagógicos. Isso faz com que cada professor realize seu trabalho de forma solitária. Porém, segundo Cunha, a falta de interação entre os conhecimentos não é exclusividade do curso de Matemática. “Esse problema faz parte da maioria dos cursos de formação de professores de Matemática do Brasil, como bem atesta a primeira comissão de especialistas para a reformulação dos cursos de Matemática, vinculada ao MEC”, explica o autor, fazendo referência ao texto “Diretrizes curriculares para o curso de Matemática”, de Geraldo Ávila.

A terceira categoria foi “As mudanças no curso de Matemática”, reivindicação de professores e professorandos. Desde 1990, quando o curso foi implantado, não houve qualquer mudança no currículo do curso. Segundo Cunha, neste ano, houve uma alteração curricular que ainda não permite comentários.

O curso de Matemática, nas considerações finais de Cunha, conta com um currículo extremamente defasado, desvinculado da própria realidade a que se insere, não contemplando uma visão sobre quem faz o curso ou de quem sai dele. Além disso, algumas disciplinas, diz o autor, estão muito desconexas e é urgente a qualificação do corpo docente para que se tenha linhas de pesquisa. O departamento, continua o autor, deve buscar auxílio na discussão sobre o novo currículo com professores que tenham uma significativa contribuição em educação matemática.

“O papel da prática de ensino na formação do professorando do curso de Matemática do campus de Sinop/Mt”, de Wilson Santana da Cunha. Orientação: prof. dr. João Baptista de Almeida Júnior. Defesa na Faculdade de Educação da PUC Campinas.

COMO CITAR ESTE CONTEÚDO:
SANTOS, T. H. A formação do professor de matemática. EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2000. Disponível em <https://educabrasil.com.br/a-formacao-do-professor-de-matematica/>. Acesso em 24 jun. 2024.

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