A formação profissional francesa e brasileira

Discutir os processos desenvolvidos pelos diversos agentes da sociedade (Estado, empresários e trabalhadores) para uma formação profissional negociada em dois países, Brasil e França, ressaltando aspectos como a globalização, a reestruturação produtiva e seus desdobramentos. Essa é a proposta do professor Fernando Fidalgo, da Faculdade de Educação da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em seu livro A formação profissional negociada: França e Brasil, anos 90, editado pela Anita Garibaldi.

“Com esta investigação, pretende-se contribuir para o avanço dos conhecimentos acerca das implicações da lógica mercantil de regulação dos mercados de trabalho sobre a dinâmica das políticas de formação profissional na atualidade e ainda oferecer subsídios à formulação de políticas de formação dos trabalhadores voltadas para os seus interesses estratégicos”, adianta o autor na introdução da obra.

Fidalgo, que foi pesquisador-visitante no Institut de Recherches Economiques et Sociales (França), procura estabelecer relações entre as preocupações francesas e brasileiras, analisando como as transformações macrossociais têm produzido alterações no modo de regulação das políticas de formação profissional. “A formação vai lentamente deixando de ser elemento da construção de projetos sociais amplos, deixando de ser uma problemática do coletivo, para ser resolvida através da ação individualizada, direcionada à obtenção de créditos adicionais de competências registrados em cartões pessoais e intransferíveis, em espaços e sobre o controle direto do capital”, ressalta.

No primeiro capítulo, o pesquisador analisa os interlocutores políticos nas suas proposições e motivações para a construção de dispositivos capazes de reorientar as políticas de formação profissional na França, nos anos 90. Ainda neste país, o segundo capítulo examina os principais acordos assinados entre aqueles agentes políticos. O objetivo, segundo o autor, é verificar se os rumos apontados pelas negociações representam alterações para o sistema de regulação das políticas de formação dos trabalhadores.

Desvendar as tendências das alterações no modo de regulação da formação profissional é o propósito do terceiro capítulo. Faz isso a partir da análise de dados estatísticos sobre a implementação e desenvolvimento dos dispositivos criados pelos acordos entre os interlocutores políticos franceses.

Além dessa abordagem, Fidalgo investiga, no quarto capítulo, o caso brasileiro. Apresenta as proposições e motivações dos interlocutores políticos a fim de se construir novos paradigmas para as políticas de formação profissional no Brasil, também na década de 90.

Analisar como os principais elementos do modo de regulação das políticas de qualificação dos trabalhadores identificados a partir do caso francês se expressam no Brasil é o objetivo do quinto capítulo. Fidalgo desenvolve esse trabalho através da formulação e implementação do Plano Nacional de Formação Profissional (Planfor) e de dados estatísticos sobre este plano, o mercado de trabalho e as características sócio-econômicas da População Economicamente Ativa (PEA).

Na conclusão do livro, o autor apresenta uma síntese sobre os sentidos e significados das alterações no modo de regulação da formação profissional, nos anos 90, tendo em vista a articulação dos elementos básicos à construção do corpo analítico necessário à compreensão desse processo.


Livro: A formação profissional negociada: França e Brasil, anos 90
Autor(es): Fernando Fidalgo
Editora: Anita Garibaldi
Páginas: 226
COMO CITAR ESTE CONTEÚDO:
MENEZES, E. T. A formação profissional francesa e brasileira. EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2000. Disponível em <https://educabrasil.com.br/a-formacao-profissional-francesa-e-brasileira/>. Acesso em 26 fev. 2024.

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