Arquitetura do conhecimento

Despertar hábitos de estudo científico em estudantes para permitir o desenvolvimento de uma vida intelectual disciplinada e sistematizada. A proposta é do professor Antônio Joaquim Severino, da Faculdade de Educação da USP, em seu livro Metodologia do trabalho científico, reeditado pela Cortez Editora.

A obra, que está na 21ª edição, aborda uma iniciação metodológica ao trabalho intelectual a ser desencadeado desde o limiar da vida universitária. Segundo Severino, que leciona Filosofia da Educação, o livro traz propostas práticas, instrumentos operacionais, técnicos ou lógicos, para o estudo visando uma organização científica e maior aprofundamento na ciência, nas artes ou na filosofia.

Em vários momentos do texto é possível perceber o objetivo do trabalho em dar subsídio para o estudante transformar seu aprendizado num criterioso processo de construção do conhecimento. Diz o autor que isso só será possível se o aluno conseguir aprender apoiando-se constantemente numa atividade de pesquisa, praticando uma postura investigativa.

Em relação às edições anteriores, o texto foi acrescido de elementos metodológicos e técnicos para o melhor aproveitamento dos recursos tecnológicos, mais precisamente o uso do computador e da Internet. A listagem das editoras, com as respectivas informações, endereços e linha de publicação, foi suprimida, com o argumento de que na Internet esses dados são facilmente encontrados.

O livro, voltado para estudantes de graduação e pós-graduação, mostra no segundo capítulo como fazer uma documentação (bibliográfica e temática) pessoal e utilizá-la como método de estudo. “O estudante tem que se convencer de que sua aprendizagem é uma tarefa eminentemente pessoal; tem de se transformar num estudioso que encontra no ensino escolar não um ponto de chegada, mas um limiar a partir do qual constitui toda uma atividade de estudo e de pesquisa, que lhe proporciona instrumentos de trabalho criativo em sua área”, argumenta o autor.

O terceiro capítulo merece destaque por ensinar como fazer uma leitura, uma análise textual, temática e interpretativa, além de uma síntese pessoal. Segundo o autor, a leitura analítica permite o aprofundamento do estudo científico. Por meio de um modelo apresentado no livro, o estudante pode fazer um trabalho mais rigoroso sobre o texto.

“A leitura, cientificamente conduzida, é instrumento fundamental para a aprendizagem no ensino superior, uma vez que todas as demais atividades, inclusive as aulas, a pressupõem. O texto é entendido como portador de uma mensagem codificada e transmitida pelo autor ao leitor. A leitura é uma atividade de decodificação desta mensagem. Tal trabalho é feito pela leitura analítica”, explica o autor, argumentando que esse trabalho serve para o estudo pessoal, para preparação de seminários, para elaboração de relatórios, roteiros de estudo, de resenhas e de resumos.

Para a realização de um seminário, o livro fornece algumas diretrizes, desde os objetivos definidos até o esquema geral de desenvolvimento, com texto-roteiro e outras questões. O seminário, segundo o autor, é entendido como método de estudo em grupo e atividade de classe específica aos cursos universitários. “Nesse sentido, o seminário pressupõe e desenvolve tanto a leitura analítica como a leitura de documentação, alimentando também a reflexão e criando contextos e problemas sobre os quais versarão futuras pesquisas do universitário”, salienta.

A elaboração de uma monografia também é tratada no texto de Severino. Todas as etapas — determinação do tema-problema-tese do trabalho, levantamento da bibliografia, leitura e documentação, construção lógica do trabalho, redação, construção do parágrafo — são apresentadas e discutidas. Os aspectos técnicos da redação e as formas de trabalhos científicos são abordados numa linguagem prática e acessível.

Segundo Severino, tanto a pesquisa quanto a reflexão são os objetivos finais da vida científica universitária. “Se isso se concretiza quase que só na pós-graduação, não se pode perder de vista que a graduação deve ser, irrefutavelmente e apesar de todos os fatos em contrário, uma rigorosa iniciação à pesquisa e à reflexão”, alerta. E continua: “Ao universitário cabe adquirir disciplina rigorosa para a expressão codificada de seu pensamento, qualquer que seja sua área de estudo”.

O capítulo sobre a Internet como fonte de pesquisa garante ao aluno um primeiro contato à iniciação e ao manuseio dos recursos tecnológicos na busca de informações para seus trabalhos de pesquisa. O texto apresenta orientações para o acesso à Internet e aos demais equipamentos de informática e multimídia. O registro documental dos dados colhidos também é abordado.

Os trabalhos de pós-graduação são tratados no sétimo capítulo. O autor faz observações metodológicas, fala sobre qualidade e forma, comenta o processo de orientação, do projeto de pesquisa e as exigências éticas do trabalho acadêmico.

No último capítulo do livro, os pré-requisitos lógicos do trabalho científico são apresentados, abordando a formação dos conceitos, das demonstrações, dos juízos e dos raciocínios. O livro traz ainda anexo de revistas, dicionários especializados, bibliografias e metodologia de pesquisa e uma bibliografia comentada.


Livro: Metodologia do trabalho científico
Autor(es): Antônio Joaquim Severino
Editora: Cortez
Páginas: 278
COMO CITAR ESTE CONTEÚDO:
SANTOS, T. H. Arquitetura do conhecimento. EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2000. Disponível em <https://educabrasil.com.br/arquitetura-do-conhecimento/>. Acesso em 23 fev. 2024.

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