Orientação sexual e a psicopedagogia

A escola deve abrir espaço para uma orientação sexual? Sim. Essa é a resposta do psicopedagogo Ênio Brito Pinto, autor do livro Orientação Sexual na Escola: a importância da psicopedagogia nessa nova realidade. No entanto, ele faz algumas ressalvas e dedica o primeiro capítulo de sua obra para discutir o tema.

Pelo raciocínio de Brito, deve-se realizar um trabalho de orientação sexual “que não se atenha apenas aos aspectos informativos ou biológicos acerca do tema, mas abra espaços para que os jovens possam debater os tabus, os preconceitos e a educação sexual de forma geral, buscando ampliar seus conhecimentos sobre a vida sexual e sobre a própria sexualidade”.

Fazendo uma distinção entre orientação e educação sexual, o autor apresenta as responsabilidades dos diversos agentes na interação com os jovens: “De forma alguma a escola pode pretender substituir a família na educação sexual. De forma alguma a família deve esperar que a escola promova a educação sexual, pois esse não é o papel da escola, e sim de toda a sociedade.”

Para embasar a proposta de orientação sexual, o livro busca na psicopedagogia as fundamentações teóricas. Depois de uma breve passagem pela história dessa ciência e de mostrar o seu caráter interdisciplinar e seu foco nos problemas de aprendizagem, Brito argumenta “que a orientação sexual poderá ser uma das armas da Psicopedagogia Preventiva, principalmente se levarmos em conta a enorme importância que a sexualidade tem no que se refere á identidade de cada pessoa”.

Brito, que é professor dos cursos de especialização em educação sexual e em terapia sexual da SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos de Sexualidade Humana), aponta David Ausubel, Piaget, Carl Rogers, Burow e Scherpp (Gestalt-pedagogia) como fontes importantes na construção da proposta de orientação sexual. O capítulo “Bases pedagógicas” apresenta as idéias principais desses pensadores e suas contribuições para o entendimento da sexualidade.

No 4° capítulo, o maior do livro, o leitor poderá fazer um breve passeio no conhecimento das manifestações da sexualidade nas diversas fases do ser humano. Nas palavras do autor: “Um passeio que forneça um panorama sobre como geralmente se desenvolve a vida sexual desde antes da gestação até a terceira idade”.

O capítulo “Algumas idéias para aulas de orientação sexual”, o último do livro, apresenta propostas de aplicação, além de criticar certas ações. “É mais louvável a escola que nada faz com relação à sexualidade de seus alunos e assume assim sua omissão do que as escolas que oferecem aos alunos palestras eventuais e cansativas, nas quais os jovens são sujeitos a uma aprendizagem passiva e entediante”, assegura o autor.


Livro: Orientação Sexual na Escola: a importância da psicopedagogia nessa nova realidade
Autor(es): Ênio Brito Pinto
Editora: Gente
Páginas: 176
COMO CITAR ESTE CONTEÚDO:
MENEZES, E. T. Orientação sexual e a psicopedagogia. EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 1999. Disponível em <https://educabrasil.com.br/orientacao-sexual-e-a-psicopedagogia/>. Acesso em 24 jun. 2024.

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