Os rumos da educação para o século XXI

Reunindo 19 trabalhos dentre os 59 apresentados no congresso da Associação Nacional de Política e Administração da Educação (Anpae) em outubro de 1998, o livro Educação para o Século XXI: dilemas e perspectivas, lançado pela Editora Unimep, traz uma série de reflexões sobre a educação brasileira e a administração escolar. Os textos foram agrupados por temáticas em quatro blocos com a colaboração de diversos profissionais de várias instituições brasileiras.

Para abrir o primeiro bloco do volume, Regina Vinhaes Gracindo, professora da UnB (Universidade de Brasília) e presidente da Anpae, apresenta um quadro da educação brasileira e identifica as demandas da sociedade tecnológica, que exige uma nova educação, com política e gestão fundadas em bases democráticas. Para ela, nessa proposta, a descentralização, a autonomia, a responsabilidade, a participação e a qualidade devem ser práticas construídas de forma coletiva. Almir de Souza Maia, reitor da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), finaliza o bloco falando sobre a Conferência Mundial da Unesco sobre Educação Superior no Século XXI e relaciona seus temas às universidades brasileiras.

O segundo bloco, “Administração da Educação: da educação infantil à pesquisa universitária”, traz seis textos. O primeiro deles é da professora Myrtes Alonso, da PUC-SP, que fala sobre a gestão centrada na escola. Para ela, “aceitar a autonomia da escola a partir da elaboração de um projeto pedagógico significa, em última análise, assumir a escola em toda a sua concretude, com todos os seus problemas, como instrumento social a serviço da comunidade – por isso mesmo, esse assumir é algo coletivo, em conjunto com a comunidade”.

O professor João Pedro da Fonseca, da FEUSP (Faculdade de Educação da USP), examina a educação infantil após a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação). Segundo ele, a população de zero a seis anos deixou de ser assunto marginal para assumir posição central no debate educacional. Mas alerta: “existe o risco de retrocessos, em virtude de recentes medidas legais em nível federal”.

Especificamente sobre o ensino superior, três trabalhos enfatizam a prática da pesquisa e os aspectos relacionados às universidades na nova LDB. Os autores dos textos são Stella C. D. Segenreich, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Martha A. S. Lucchesi, da PUC-SP, e Raquel Villardi e Carlos Alberto de Oliveira, ambos da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

Sobre a organização da unidade escolar, Lúcia Helena G. Teixeira, da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), examina a questão como uma cultura e ressalta as implicações das propostas de mudanças e as repercussões na formação dos profissionais do ensino.

No primeiro texto do terceiro bloco, cujo título ficou “Desafios e dilemas”, o professor Luiz Fernandes Dourado, da UFG (Universidade Federal de Goiás), estuda as transformações da sociedade contemporânea, o papel do Banco Mundial e os impactos na educação superior brasileira. Aparecida Marcianinha Pinto, doutoranda em Educação pela Unesp de Marília, desenvolve um estudo semelhante ao de Dourado, enfatizando as influências dos organismos internacionais para aumentar a competitividade, o lucro e a disciplina.

Bertha de Borja R. do Valle e Marly de Abreu Costa, ambas da UERJ, falam dos recursos financeiros na gestão do ensino público brasileiro, com base no Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) e em textos da legislação atual. Segundo os autores, há incoerências na LDB, “que ora restringe, ora permite a concessão dos recursos públicos para instituições particulares”.

O professor João Ferreira de Oliveira, da UFG, fala da nova reforma da educação superior no Brasil a fim de apreender a dinâmica de desconstrução da universidade pública. “Assim, pretende-se identificar e problematizar elementos básicos da vida acadêmica que expressam com mais evidência as tensões e os conflitos presentes diante das novas exigências, demandas e desafios da sociedade contemporânea e perante as políticas educacionais para a educação superior”, explica Oliveira.

Com o objetivo de identificar o paradigma que norteia a política educacional brasileira para o ensino superior, Jorge Gregório da Silva, da Unam (Universidade do Amazonas), procura no projeto político-social em curso no País uma relação para as transformações. “Procura-se compreender o neoliberalismo não como um novo liberalismo, mas como um velho liberalismo mais violento. Nesse contexto de crise, o neoliberalismo propõe a extinção de direitos conquistados no âmbito das lutas sociais, como educação, trabalho, aposentadoria digna, salário, cultura e o mínimo de lazer”, salienta.

A professora Mírian Paura Sabrosa Zippin Grinspun, da UERJ, no último texto do terceiro bloco do livro, trata da formação dos profissionais da educação com a nova LDB. Para tanto, mostra ganhos e perdas, traçando um histórico com alguns dados e informações da legislação.

O quarto e último bloco do livro, “Perspectivas para o século XXI”, traz cinco textos. O primeiro é de Speranza F. da Mata, da UFRJ, que trata de uma experiência inovadora em gestão e administração de educação ambiental: uma proposta de parceria do ensino formal com o espaço informal das associações/organizações/instituições locais de prestação de bens sociais à comunidade. O segundo texto é de Naura Syria C. Ferreira, da Universidade de Tuiuti do Paraná, que discute as experiências inovadoras em gestão da educação daquele Estado.

Sônia Martins de Almeida Nogueira, da UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense), trata da implementação de uma proposta pedagógica. Segundo ela, a proposta, em sua natureza, “expressa uma orientação da política institucional e desvela os desafios enfrentados nos planos conceitual, estrutural e operacional, sobretudo acentuados pelo seu caráter inovador.”

Sobre o papel da avaliação institucional, Antonilda Pinho Nunes, da Unesa (Universidade Estácio de Sá), fala sobre sua importância como metodologia para “a interpretação das informações e dos valores necessários à construção de um Plano de Ação Global que conduza a universidade ao cumprimento de sua função social.” Nunes aborda ainda o planejamento estratégico no processo pedagógico e a prática da avaliação sistemática e contínua como exercício da autogestão.

O último texto do livro é da vice-reitora reitora da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), Rinalva Cassiano Silva. Ela faz uma discussão sobre os desafios da educação para o próximo século, enfatizando a cidadania, a globalização, novos paradigmas (neocognitivismo, neo-estruturalismo, neotecnicismo e neo-humanismo) e o papel da administração escolar.


Livro: Educação para o século XXI: dilemas e perspectivas
Autor(es): vários. Organização de Rinalva Cassiano Silva
Editora: Unimep
Páginas: 255
COMO CITAR ESTE CONTEÚDO:
MENEZES, E. T. Os rumos da educação para o século XXI. EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2000. Disponível em <https://educabrasil.com.br/os-rumos-da-educacao-para-o-seculo-xxi/>. Acesso em 23 fev. 2024.

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