Recriando a escola para adolescentes

Os adolescentes necessitam “desenvolver abordagens positivas à sexualidade que envolvam e valorizem atenção, prazer, emoção e desejo em um contexto de relacionamentos carinhosos e responsáveis”. Também precisam “aumentar a consciência do mundo social e político que os cerca, a capacidade de lidar com esse mundo e a ele reagir de modo construtivo”. Essas e outras afirmações sobre os adolescentes foram identificadas numa pesquisa internacional envolvendo Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. O objetivo foi examinar o modo como as escolas têm falhado com seus jovens alunos, principalmente no ensino médio.

O estudo, desenvolvido pelos pesquisadores Andy Hargreaves, Lorna Earl e Jim Ryan, pode ser conferido no livro Educação para mudança: recriando a escola para adolescentes, lançado pela Artmed. O autores, que são professores do Ontario Institute for Studies, em Toronto, Canadá, examinaram tanto as características e necessidades comuns da primeira fase da adolescência como também os aspectos variáveis. Em outras palavras, observou-se fatores desejáveis e indesejáveis das continuidades e descontinuidades na experiência de transição para o ensino médio. Verificou-se ainda a natureza dessa transição que os jovens atravessam na adolescência, na relação com eles próprios, na vida social e na escola.

Uma parte do livro dedica-se a descrever o ensino fundamental e médio, ressaltando os tipos de organização e cultura. Questiona-se, por exemplo, até que ponto essas escolas vão ao encontro das características e necessidades dos adolescentes. Os autores avaliaram os sistemas de apoio para a orientação dos jovens, salientando os fatores que envolvem a informação, a segurança e a confiança de que precisam para tomar “decisões ajuizadas”.

O currículo mereceu dois capítulos (6 e 7) dos dez que estruturam o livro para tratar do assunto no ensino médio. Analisa-se, por exemplo, as origens e os efeitos do atual currículo. O objetivo foi verificar até que ponto ele satisfaz às necessidades dos alunos nesta fase da vida. Constatou-se como um currículo baseado em conteúdo atende mal a muitos alunos e como é difícil sua modificação. Os autores também defendem uma integração curricular. No entanto, não poupam críticas: “Nossa análise expõe a confusão generalizada sobre o que é currículo integrado e os radicalismos perigosos de alguns proponentes que querem eliminar as fronteiras tanto entre conteúdos como entre disciplinas”.

O livro também aborda a avaliação e seus propósitos, o ensino e a aprendizagem e outras descobertas da pesquisa. Os autores discutem, nesse sentido, as possibilidades de uma melhor educação para os adolescentes na prática escolar. Educação para mudança é um livro com reflexões, propostas e críticas, como mostra um trecho do livro, no último capítulo: “Os adolescentes na fase inicial precisam de independência, mas nós lhes mostramos indiferença. Eles precisam de gentileza, mas os pressionamos com o controle. Eles estão saturados de críticas e curiosidades, mas nós lhes aplicamos golpes de conteúdo e exigimos seu cumprimento”.

Livro: Educação para mudança: recriando a escola para adolescentes
Autor(es): Andy Hargreaves, Lorna Earl e Jim Ryan (trad. Letícia Vasconcellos)
Editora: Artmed
Páginas: 269

COMO CITAR ESTE CONTEÚDO:
MENEZES, E. T. Recriando a escola para adolescentes. EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2001. Disponível em <https://educabrasil.com.br/recriando-a-escola-para-adolescentes/>. Acesso em 24 jun. 2024.

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